Literatura Brasileira: Carlos Drummond de Andrade - Descrevendo Nuvens
01 • ago • 2014
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Joicy Kelly

Literatura Brasileira: Carlos Drummond de Andrade

Voltando ao assunto de literatura brasileira, hoje resolvi falar um pouco de um grandessíssimo poeta brasileiro, sim, Carlos Drummond de Andrade! Esse mineiro, nascido em Itabira do Mato Dentro  em 31 de Outubro de 1902, estudou em Belo Horizonte, e com os Jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo- RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental” (HAHAHA). Começou sua carreira de escritor como colaborar no Diário de Minas, jornal de aglomerava adeptos ao movimento modernista mineiro, e mais tarde fundou com outros escritores A Revista, que mesmo tendo sido breve, foi um um importante mecanismo de impulsão para o modernismo mineiro. 
Por insistência familiar par obter um diploma, formou se em farmácia no ano de 1924 em Ouro Preto- MG. Ingressou no serviço público e em 1934 e mudou se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no gabinete do ministro da educação Gustavo Capanema. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Durante todo esse tempo, além de trabalhar ele escreveu e publicou suas 55 obras, compostas por livros de poesias, antologia poéticas, prosas e obras infantis. 
Apesar de ter sido grande ícone na luta pelo modernismo, Carlos Drummond nunca deixou que o estilo predominasse em suas obras, essas eram dominadas por sua vez pela individualidade do autor. Torturado por um passado, e assombrado com um futuro, suas poesias focavam se no tempo e no hoje dilacerado por uns e outros, testemunha vivente de si mesmo apontava para um ponto de vista cético e deprimente. Ironizava os costumes e as sociedades, enquanto de forma satírica despejava seu amargor e desencanto, e empenhava se com muito requinte e de forma construtiva em comunicar a estética desse modo de ser e estar.
Drummond faleceu em 17 de agosto 1987, 12 dias após o câncer derrotar sua filha. “E assim vai se indo a família Drummond de Andrade…” -publicou o poeta ao saber da morte da filha. 
Então pessoal, particularmente eu tenho uma enorme paixão pelos poemas de Carlos Drummond, tanto que meu livro de cabeceira é o “Sentimento do Mundo”, publicado em 1940, o terceiro livro do Autor. E você? Conhece alguma obra do dele? Já leu alguma de suas encantadoras poesias e poemas? Em algum momento, uma delas tocou seu coração? Se a resposta pra algumas das perguntas for não, sugiro que passe a conhecer um pouco mais, pois  realmente é uma leitura dilacerante e magnifica!
Deixo vocês com um poema, que eu realmente aprecio, este foi publicado no livro “De alguma poesia,  no ano de 1930 . O título é “Poema de Sete Faces”
“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”

Ps: Uma pequena curiosidade, você já ouviu alguém usar a expressão “e agora, José?”, é comum em ocasiões em que algo está dando errado (sempre vejo minha madrasta que é boatrasta usar), essa expressão surgiu a partir de um poema de Carlos Drummond de Andrade, de nome José!! Despeço me com um trechinho dele:

E agora, José?
A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?



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