Arquivo para literatura brasileira - Descrevendo Nuvens
28 • fev • 2015
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Joicy Kelly

Vamos falar sobre: Leminski!

“Amor, então,
também, acaba?

 

Não, que eu saiba.

 

O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.”
 Paulo Leminski Filho, nasceu em Curitiba em 1944, mestiço de polonês com mãe negra, sempre chamou atenção, desde pequeno por ser um gênio intelectual, e apaixonado por cultura. Aos doze anos ingressa no Mosteiro São Bento, onde aprende teologia, latim, filosofia e literatura clássica, o que o torna mais fascinado pela escrita, Em 1963 abandona a vocação religiosa e parte á Belo Horizonte, para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, onde ele conhece grandes nomes como Agusto de Campos, Décio Pignatari, e Haroldo de Campos, criadores do movimento poesia concreta. Nos anos seguinte torna se professer de história e redação em cursos pré vestibulares e publica seus primeiros poemas na revista “A invenção”. Em 1968 casou se com a também poetiza Alice Ruiz, com quem teve três filhos.
 Leminski dedicou se a vários trabalhos, mas o que mais se destacou foi como letrista e músico. Verdura, por exemplo, escrita em 1981 foi gravada por Caetano Veloso , sua influência no MPB foi tão clara que o próprio poeta podia reconhecer isso. Ele teve poemas e textos publicados em muitas revistas, além de um romance ousado: “Catatau”.
 Leminski herdou um pouco da estética concretista, o humor estava presente na grande maioria das suas obras poéticas, assim com a influência melódica das canções pupulares, recursos visuais, além de fazer versos a partir de  trocadilhos e provérbios, era um apaixonado pela cultura japonesa, portanto suas poesias e sua vida tinha grande influencia oriental, tanto que, ele era faixa preta em judô.
                                                              
Gírias e palavrões eram frequentes em suas escritas, além da falta de pontuação, especialmente  no fim e muitas vezes o começo era em letra minuscula, as palavras eram dispostas geometricamente, o neologismo e o emprego de  muitas palavras-valise  geravam um segundo sentido e significado nas frases.
 Pouco antes de morrer, ele escreveu uma carta para Regis Bonvicino, na qual ele dizia “não quero acabar como Fernando Pessoa, com hepatite etílica aos 44 anos”, ironicamente, Paulo Leminski morreu em 07 de Junho de 1989, vítima de hepatite etílica, aos 44 anos.
 Eu, particularmente, sempre vejo as poesias de Paulo Leminski em melodia, daquelas que lemos cantada, que possuem um ritmo, traduzo como uma forma serena de recolocar as palavras, que nos deixa com a sensação de estarmos viajando tranquilamente num barco, porém, se for mais a fundo, nota se que o rio é inconstante, tortuoso, raso e profundo.
 Dente todas, finalizo com uma de minhas poesias favoritas desse grande nome da literatura brasileira:
Bem no fundo 
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Mega beijo meus amores, até a próxima!
12 • nov • 2014
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Joicy Kelly

Resenha: Dom Casmurro!

 Olá amoress!
 Faz um bom tempo já que que eu não venho falar sobre literatura brasileira pra vocês, então hoje eu resolvi fazer uma resenha sobre Dom Casmurro, esse que é um título muito conhecido do consagrado escritor brasileiro Machado de Assis, e digamos que meu favorito!
 Se trata de uma obra realista, publicado no ano de 1990, porém o enredo se passa antes dessa data, Machado de Assis conseguiu de forma simples prender o leitor em um romance incrivelmente detalhado e perturbador, na qual, por fim se deixa uma incógnita, 



 “Bento Santiago, um advogado na casa dos 60, resolve contar sua história em um livro, porém logo de cara, fica claro que ele se refere apenas a uma parte de sua vida, o romance vivido com sua bela vizinha Capitu, que viria a se tornar o grande amor de sua vida.
 Após a morte do primeiro filho, D. Glória , uma mulher muito ligada a igreja, faz uma promessa que seu segundo filho iria para o seminário quando ficasse jovem, essa, com o apoio de seus “agregados” não desiste da promessa, mesmo que com o coração partido por se separar de seu único filho…  porém, na adolescência Bentinho engata o inicio de um relacionamento com Capitu, o que prova de vez que o rapaz não tem vocação alguma pra se tornar padre, porém, após muita insistência, ele aceita fazer a vontade da mãe e vai para um seminário. 
 Lá, ele conhece Escobar que torna se seu melhor amigo, e juntos, os rapazes convencem seus pais a deixa los sair do seminário de vez.
 Bento forma se em direito e se casa com Capitu que esteve lhe esperando desde a adolescência, e Sancha, melhor amiga da moça se casa com Escobar, juntos eles têm uma filha, a qual é chamada de Capituzinha em homenagem a grande amiga. A felicidade fica completa quando nasce Ezequiel, filho de Bento e Capitu!
 Porém uma fatalidade muda todo o rumo da história, Escobar morre em um afogamento, e durante o velório, Bento repara um comportamento estranho na esposa, algo como alguns indícios de adultério, que com o passar do tempo o atormenta cada vez mais o protagonista, ele confirma a traição quando nota a grande semelhança entre Ezequiel e seu falecido amigo, com isso ele separa se de Capitu e a envia para Europa com o filho. 
 Bento vive o resto de seus dias totalmente recluso e fechado, que é da onde faz por merecer o apelido de dom Casmurro, que quer dizer pessoa ranzinza!


 Olhando o contexto parece um livro simples, mas Machado de Assis enriqueceu o livro por completo com detalhes, especialmente sobre Capitu, que era uma mulher estonteante, sexy e se expressava de forma calorosa  pelos “olhos de cigana oblíqua e dissimulada, que o puxava, como um mar de ressaca”  


  Além do mais, o livro deixa um enigma para um leitor curioso e avisado, o único narrador da história era unicamente Bento Santiago, este, que se mostra uma pessoa difícil, desconfiado e muito ciumento, além de ser advogado e saber muito bem argumentar, em alguns momentos, deixa transparecer também um certo transtorno mental, e em momento algum Capitu conta sua “versão da história”, portanto resta a dúvida, será que Capitu traiu mesmo, ou foi apenas uma má interpretação de Bentinho?
  A resposta fica no consciente de cada e leitor, pois infelizmente, nosso adorado Machado não poderá no esclarecer!   
 O livro é de tanto sucesso dentre os adoradores da literatura brasileira, que ganhou um  minissérie da rede Globo, minissérie essa que eu assisti e fiquei fascinada, o que é coisa rara pois eu nunca assisto TV, essa foi a unica minissérie que me puxou pra frente do sofá realmente! Vale a pena conferir!!

01 • ago • 2014
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Joicy Kelly

Literatura Brasileira: Carlos Drummond de Andrade

Voltando ao assunto de literatura brasileira, hoje resolvi falar um pouco de um grandessíssimo poeta brasileiro, sim, Carlos Drummond de Andrade! Esse mineiro, nascido em Itabira do Mato Dentro  em 31 de Outubro de 1902, estudou em Belo Horizonte, e com os Jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo- RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental” (HAHAHA). Começou sua carreira de escritor como colaborar no Diário de Minas, jornal de aglomerava adeptos ao movimento modernista mineiro, e mais tarde fundou com outros escritores A Revista, que mesmo tendo sido breve, foi um um importante mecanismo de impulsão para o modernismo mineiro. 
Por insistência familiar par obter um diploma, formou se em farmácia no ano de 1924 em Ouro Preto- MG. Ingressou no serviço público e em 1934 e mudou se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no gabinete do ministro da educação Gustavo Capanema. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Durante todo esse tempo, além de trabalhar ele escreveu e publicou suas 55 obras, compostas por livros de poesias, antologia poéticas, prosas e obras infantis. 
Apesar de ter sido grande ícone na luta pelo modernismo, Carlos Drummond nunca deixou que o estilo predominasse em suas obras, essas eram dominadas por sua vez pela individualidade do autor. Torturado por um passado, e assombrado com um futuro, suas poesias focavam se no tempo e no hoje dilacerado por uns e outros, testemunha vivente de si mesmo apontava para um ponto de vista cético e deprimente. Ironizava os costumes e as sociedades, enquanto de forma satírica despejava seu amargor e desencanto, e empenhava se com muito requinte e de forma construtiva em comunicar a estética desse modo de ser e estar.
Drummond faleceu em 17 de agosto 1987, 12 dias após o câncer derrotar sua filha. “E assim vai se indo a família Drummond de Andrade…” -publicou o poeta ao saber da morte da filha. 
Então pessoal, particularmente eu tenho uma enorme paixão pelos poemas de Carlos Drummond, tanto que meu livro de cabeceira é o “Sentimento do Mundo”, publicado em 1940, o terceiro livro do Autor. E você? Conhece alguma obra do dele? Já leu alguma de suas encantadoras poesias e poemas? Em algum momento, uma delas tocou seu coração? Se a resposta pra algumas das perguntas for não, sugiro que passe a conhecer um pouco mais, pois  realmente é uma leitura dilacerante e magnifica!
Deixo vocês com um poema, que eu realmente aprecio, este foi publicado no livro “De alguma poesia,  no ano de 1930 . O título é “Poema de Sete Faces”
“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”

Ps: Uma pequena curiosidade, você já ouviu alguém usar a expressão “e agora, José?”, é comum em ocasiões em que algo está dando errado (sempre vejo minha madrasta que é boatrasta usar), essa expressão surgiu a partir de um poema de Carlos Drummond de Andrade, de nome José!! Despeço me com um trechinho dele:

E agora, José?
A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

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